Publicado por: Caio Gondim | 5 julho 2010

Trilha Itamaracá

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Itamaracá, essa ilha que pra mim é um paraíso não só pelas belezas naturais mais também pela quantidade e variedade de trilhas onde temos planaltos com paisagem de tirar o fôlego, mata Atlântica, manguezais, coqueirais, riachos e lagoas. Além dos privilégios naturais, a ilha também nos dá um banho em termos históricos já que a colonização do nosso estado se iniciou em um porto localizado em Vila Velha, localidade da ilha em 1531. 
Por essas razões decidimos fazer a trilha no local para mostrar ao nosso convidado que veio de São Paulo a convite de Paulo Ribeiro conhecer as trilhas de Pernambuco o Professor Arnaldo um trilheiro de mão cheia, confira no seu Blog – HTTP://blogdoprofessorarnaldo.blogspot.com
 
Iniciamos a trilha no balneário da Lagoa Azul às 9h15min com 11 participantes, número perfeito para realizar uma trilha com um nível de dificuldade elevado se o grupo fosse maior demandaria mais tempo para a realização.
Saímos da lagoa por estrada com uma densa cobertura de mata em alguns locais, parece um túnel, em pouco tempo chegamos ao nosso primeiro single com um riacho para atravessar e em seguida uma subida com erosões e de grande dificuldade para ser superado só dois de nós conseguiu subir o Leo e Dornelas “Eu”. O professor ficou fazendo a cobertura tirando fotos e filmando.
 
Subindo um pouco mais, chegamos à mata Atlântica em um planalto que rodaríamos dois quilômetros e meio com a trilha coberta com folhas secas, baixando a cabeça ao passar debaixo de árvores caídas e desviando de tocos e galhos de todos os lados, até a temperatura e o cheiro no local é um prazer nessa imersão de natureza que vivenciamos. Chegamos ao nosso primeiro downhill bem travado que dá acesso à lagoa Esmeralda, com muita raiz, toco, galho e até batentes provocados pela erosão da chuva, convidei o Professor pra descer na frente e sentir o prazer e adrenalina que essa trilha proporciona até chegar ao final com a visão da lagoa, ele adorou dizendo é o tipo de trilha que adoro. Paramos prá tomar banho e a água estava uma maravilha, nem fria nem quente, deu trabalho pra sair, pra mim a trilha acabava por ali.
 
Continuamos pedalando por pastagem, mata até chegarmos às ruínas da de um Engenho e uma igreja da época da nossa colonização ao lado de uma ladeira asfaltada subiríamos até retornarmos ao planalto que nos levaria em um single à Vila Velha onde ao chegar, fomos ao mirante atrás da igreja de onde se tem a vista de longe e de cima da Coroa do Avião ilhota que fica em frente à praia do Forte Orange onde a esposa do professor estava nos esperando, ele ficou maravilhado com a visão, chegou a telefonar para a esposa para mencionar a beleza do local.
 
No local uma guia de turismo da comunidade passou informações históricas do local como o túnel que liga a vila ao forte Orange e foi fechado em 1985, sobre as ruínas próximas da igreja do Rosário dos Pretos entre outros fatos como a trilha dos Holandeses que nos levaria até o Forte Orange. Paramos um pouco em um bar no local onde saboreamos a empada de siri e depois seguimos.
 
Trilha dos Holandeses, no início uma descida bastante íngreme curva e escorregadia, ao seu final a ponte de madeira no estuário onde ficava o porto onde se iniciou nossa colonização pelos Portugueses. Início da trilha sinuosa entre a vegetação arbustiva com um detalhe que demandou um esforço a mais para nós, areia fofa por dois quilômetros até o forte. Além da areia mais um probleminha, comecei a sentir umas pancadas na roda traseira percebi que tinha furado o pneu mais ainda sentia que dava prá seguir e consegui pedalar até sair da mata já próxima ao forte onde ao parar não vi ninguém atrás de mim, comecei a dar ar no pneu até chegarem todos e depois seguimos juntos até o forte onde encontramos a família do prof. Arnaldo e seguimos até o bar a beira mar onde faríamos a nossa parada.
       
Em nossa parada além do forte da comida regional com frutos do mar, dois emboladores cantarolaram e brincaram com todos os participantes. Fui consertar o pneu da bike e encontrei um espinho retirei e troquei a câmara. Na hora da saída, tava todo mundo mole, alguns me perguntavam se a trilha num acabava ali como Ana Paula e outros achavam que nós voltaríamos para a lagoa por asfalto. Nada disso, vamos agora fazer um caminho inédito nas trilhas do Venture, vamos seguir um single em mata fechada entre duas montanhas margeando um riacho até sua nascente onde subimos nossa última e penosa ladeira. Entramos na trilha e seguimos quase até seu final se não fosse uma enorme arvore bastante frondosa que caiu e bloqueou a nossa passagem, e agora perguntaram alguns, como tínhamos acabado de passar por uma subida a nossa direita muito íngreme e escorregadia eu disse que seguiríamos por lá, a maioria duvidou achando que eu estava brincando e que não dava pra subir ali, mais não era brincadeira mais sim a pura verdade. Começaram a subir a ladeira, como fiquei um pouco para trás, e logo depois que conseguimos subir o primeiro paredão escorregadio, um grito lá da frente dizendo que não dava pra passar e pediam que fosse dar uma olhada, era uma voçoroca que fez uma enorme depressão no caminho e do outro lado outro paredão pior que o primeiro. Ao analisar o local mais uma vez ouvi o pessoal dizer tu tá brincando nós num vamos passar por aí! Continuamos e mais a frente, outra voçoroca maior que a anterior e o paredão do outro lado era um absurdo, é esse só escalador sobe, vamos voltar, foi ai que o professor disse que dava pra subir e ia tentar, eu pensei ou esse cara é louco ou eu to com problema de visão, felizmente ele desistiu da loucura! Ao retornar um pouco no caminho vi um single estreito e subindo à esquerda da voçoroca, decidi subir sem a bike pra ver se contornava o buraco e se chegava ao planalto onde queria. Logo no começo vi um cano e um cabo elétrico no chão até encontrar uma caixa d’água ao lado do caminho, subi mais uns 50 metros e cheguei ao final onde encontrei uma propriedade com cerca feita com madeira da mata bem fechada.  Por rádio avisei que o caminho estava certo e que o grupo subisse, eu iria descer pra pegar minha bike, no meio do caminho, tomei um banho de cuia na caixa d’água e à medida que iam subindo, alguns como Drika e Rômulo também tomaram.
 
Ao chegar ao final descansamos um pouco e ao sair fui em direção a propriedade cercada pedir para atravessar o local para pegar a estrada do outro lado, o pessoal chamou o encarregado de local para falar comigo e ao pedir passagem ele me informou que o local era de reabilitação e que não podíamos entrar lá, me orientou um caminho que seguia para a estrada sem passa pelo local. E eu achando que só tinha o professor de louco querendo subir aquele paredão, lá em cima é que estava cheio!
 
Chegamos à estrada e seguimos, passamos pela vila e do planalto tínhamos a visão do mar lá embaixo. Um pouco mais, chegaríamos ao último momento de adrenalina um downhill estreito, rápido no início e depois liso, erodido, íngreme e com um detalhe extra que já levou muita gente descer capotando, cascalho bem fino que fica na superfície do solo e faz à bike sair de baixo se escorregar. Felizmente ao final dessa vez nenhuma queda.
 
Chegamos à estrada que nos levaria de volta a lagoa Azul e às 16h15min concluímos a trilha e mostramos pro Arnaldo um pouco de nossas trilhas e também de nossa cultura e história. Seja bem vindo você e sua família a terra das mulheres Nordestinas valentes e arretadas pra agüentar uma trilha dessas com tal disposição!       
 
DADOS TÉCNICOS:
Início = 9h15min;
Final = 16h24min;
Tempo total = 7h39min;
Veloc. Média = 8,7 km/h;
Veloc. Máxima = 36 km/h;
Total km = 21,79 km.

Em breve, todas as fotos…

 

Pedalando sempre…

vb marca original

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